quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Samba da Bênção

Segue a música de Vinícius de Moraes...

É melhor ser alegre que ser triste

Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

(Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão)

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

(Feito essa gente
que anda por aí brincando com a vida
Cuidado, companheiro
A vida é pra valer
Não se engane, não
É uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem sem provar
muito bem provado com certidão passada em cartório do Céu assinado em baixo: Deus!
E com firma reconhecida
A vida não é de brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher a sua espera
com os olhos cheios de carinho
e as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida,
como no seu samba)

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ré

Às vezes me sinto andando de Ré, com o freio de mão puxado...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Comendo pela França




Em Grenoble fomos com uma amiga a um restaurante japonês chamado: Sushi me. O nome é bastante sujestivo - vc se senta no balcão, e nele há uma esteira, que sai e chega na cozinha. Por essa esteira, andam vários pratinhos com porções, e cada pratinho tem uma cor diferente, porque cada cor tem um preço. O que me surpreendeu foi um sushi de kani com abacate (sim, abacate), que era maravilhoso!!!
Aliás, nunca comi tantas coisas feitas com abacate quanto na França, principalmente Paris - e todas deliciosas! Comi um sanduíche de frango com fatias de abacate (comprado em padaria) e a entrada mais gostosa que eu comi na viagem toda: meio abacate, recheado com creme de camarões! Delicioso!!!!!
Os queijos também são deliciosos - meu preferido: brie! Super cremoso!
Agora... a mai
or das perdições - os doces! Cada doce espetacular!!!!! Muito gostosos!!!!!

Comendo pela Itália

Como falar dos lugares lindos pelos quais passei e não falar das delícias que experimentei, né?
Pois bem... comecemos pelo que mais cativou meu paladar - os sorvetes italianos! Meu Deus! O que era aquilo?? Devo dizer que são os melhores do mundo, sem dúvida alguma!!! Saborosíssimos, era obrigatório pelo menos 2 bolas por dia! Já as pizzas, devo dizer que as brasileiras são muito melhores! As de lá (pelo menos as que eu via) tinham muita massa e pouco recheio. Agora... as massas... huuuuuuuuuuum!!! Muito, muito boas!!! A que eu mais gostei foi um ravióli que comi em Turim, recheado com carne, e coberto com um molho de queijos e amêndoas moídas! Já dá água na boca, só de lembrar! Os iogurtes de frutas são fantásticos! Apaixonei-me pelo de cereja!!! Cremoso, e com pedaços de frutas, de deixar a gente maravilhado a cada colherada. Pela primeira vez comi damasco fresco - super saboroso!!! Parece um pêssego, mas mais gostoso. Falando em pêssego, vimos um pêssego de forma achatada. Experimentei pela primeira vez framboesas! E cheguei à conclusão que prefiro comê-las em doces do que apenas elas. Agora, uma das minhas maiores alegrias foi ter saído do mercado, em Florença, com um saquinho com meio quilo de cerejas, comendo como se fosse bombons!

sábado, 29 de agosto de 2009

Giverny


Na terra do pintor impressionista a paisagem impressiona.
Os salgueiros-chorões, as ninfeias e todo o jardim, que antes via apenas nas telas de Monet, estavam diante de mim.
A ponte sobre o riacho, as flores em arranjos naturais maravilhosos, evidenciando o que é de fato a natureza em sua essência.
Vendo todas as cores, todas as texturas, pude entender suas pinturas. Como não querer pintar paisagens tão lindas que estão em seu próprio quintal?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sina

Faz alguns dias que estou com essa música na cabeça. Então, vamos lá... um pouco de Djavan para vocês também.

Pai e mãe, ouro de mina
Coração, desejo e sina
Tudo mais, pura rotina, jazz
Tocarei seu nome pra poder falar de amor

Minha princesa, art-nouveau
Da natureza, tudo o mais
Pura beleza, jazz

A luz de um grande prazer é irremediável neon
Quando o grito do prazer açoitar o ar, reveillon

O luar, estrela do mar
O sol e o dom, quiçá, um dia a fúria
Desse front virá lapidar
O sonho até gerar o som
Como querer caetanear o que há de bom

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Proposta (The Proposal)

E eis que quarta passada fui com os olhos de jabuticaba ao cinema.
Fomos assistir a uma comédia romântica, chamada "A Proposta", com a Sandra Bullock.
O filme conta sobre uma canadense que só vive para o trabalho, numa editora americana. E por não ter tempo para mais nada além do trabalho, ela se esquece de preencher uma papelada da imigração, correndo o risco de ser deportada. A menos, é claro, que se case! E é isso que ela anuncia para seus diretores, assim que seu assistente entra na sala para lhe dar um recado. Que eles irão se casar, e que viajarão no fim de semana para casa da família dele, para o aniversário de 90 anos da avó e aproveitarão para contar sobre o casamento.
Chegando ao Alaska (sim, a família dele mora lá, onde nem Judas quis perder as botas), e a confusão está armada!
Um filme muito engraçado, garantia de ótimas risadas! Melhor ainda se estiver em boa companhia!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Em Como

Durante nossa estadia em Milão combinei com um amigo de irmos a Como, uma cidade à beira de um lago, bem pertinho da capital da moda e do design.
A cidade é uma graça! Paisagens maravilhosas, ruas movimentadas por turistas e casas com flores nas janelas. E jardins! Muitos jardins!!!
Claro que também muita água! Um azul vivo, transmitindo uma paz inacreditável. Lago com direito a patinhos coloridos e tudo!
No pier, muitos cadeados. A história é a de que os namorados colocam os cadeados na grade do pier, para mostrarem seu amor eterno. Havia cadeados novos, e alguns que já estavam muito corroídos pelo tempo. O que me fez pensar quantos desses amores ainda estão vivos, quantos já mudaram, floresceram, ou se acabaram.
Um fato meio chato também aconteceu durante o passeio. Estávamos na praça da igreja, olhando as coisas em volta, e como uma boa turista, eu estava batendo fotos. Estava paradinha, olhando para cima, quando ouvi minha tia e meu amigo me chamarem. Olhei para baixo, e vi um cadeirante. Ele olhou feio pra mim, e passou por cima do meu pé. Na hora eu fiquei boba! Que falta de educação! Está certo que ele tem uma dificuldade de locomoção, mas eu estava parada, e ele estava andando. Custava ele desviar de mim? Afinal, a calçada é de todos, e não há exclusividade para esse ou aquele. E também ele estava me vendo, mas eu não.
Óbvio que isso não estragou nosso passeio. Continuamos nossas voltas pela cidade, aproveitando o dia lindo!

domingo, 16 de agosto de 2009

Rendas e Bordados

Durante a viagem, o que mais visitei foram igrejas. De todos os tipos - simples, suntuosas, cobertas de mármores, ouro, pinturas, tapeçarias, mosaicos. Com características ecléticas, medievais, góticas, renascentistas, bizantinas. Em todas elas, a primeira coisa que fazia ao entrar era olhar o piso e o teto. Não havia uma que não tivesse um piso trabalhado, seja em mármore ou mosaicos, e tetos pintados, verdadeiras obras de arte!
Mas duas igrejas, em especial, chamaram minha atenção. Ambas são góticas, mas são muito diferentes.
A primeira, é o Duomo de Milão. Parece uma renda feita de pedra, com suas pontas tentando alcançar o céu. Toda branca por fora, linda, com estátuas e enfeites compondo suas fachadas.
A segunda é a Notre Dame de Paris. Essa parece um bordado. Seus vitrais e suas torres, suas portas entalhadas, as gárgulas, compondo fachadas marcantes e fascinantes. Foi uma emoção olhar para ela pela primeira vez.
Em rendas e bordados, a paz transmitida é imensa e inexplicável. Uma beleza além da beleza, além das fachadas, dos vitrais exuberantes, além da imensidão de seus interiores, de seus altares, de suas imagens. Uma beleza nos mínimos detalhes e nos mais puros sentimentos. Uma beleza além de qualquer devoção, de qualquer crença.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Mordomo de banheiro

- Alfredo!!
Não, não é propaganda de papel higiênico. Eu estive em um banheiro com mordomo!
Calma, calma, eu explico!
No primeiro dia que fomos ao Louvre, fomos para escapar da chuva. Já era tarde para visitar o museu, então ficamos na parte das lojas, no subsolo. Como fazia tempo que não íamos ao banheiro, fomos à caça de um. Ao encontrar, vimos que precisaríamos pagar. Até aí, tudo bem, porque a maioria dos sanitários públicos a gente paga para usar. E aquele não era dos mais caros. Mas não era apenas um banheiro - era também uma loja de artigos de higiene. Eles vendiam papel higiênico estampado (não me perguntem para que), sais de banho, essências para perfumar ambientes, e etc.
Continuando a história - pagamos na recepção, e nos dirigimos à ala direita, que era o sanitário feminino (o da esquerda era masculino, obviamente). Ao passar pelo lavatório e ir em direção às cabines, vejo três rapazes uniformizados. Sim! Isso mesmo! Fiquei meio intrigada por alguns segundos, mas logo tudo se esclareceu. Um dos rapazes sorriu, falou boa tarde, limpou a maçaneta e abriu a porta da cabine para eu entrar! Só faltou a bandeja com o rolo de papel higiênico! Ao sair (eu mesma abri a porta, que fique bem claro), lavei minhas mãos, retoquei o batom, e vi os rapazes ali, sorridentes, abrindo a porta para senhoras e moças, usarem o tão nobre trono.
Foi bizarro! E eu só pensava: "o que você faz da vida?" e a resposta: "sou mordomo de banheiro"...

domingo, 9 de agosto de 2009

Torre Eiffell


Teias de ferro confeccionadas por mãos humanas na tentativa de alcançar os céus.
E o que era provisório tornou-se eterno.
A renda metálica na cidade-luz
.

Miséria Globalizada

"Sono povera con due bambini, senza casa e lavoro. Aiutate la mia famiglia con un poco di soldi per amor di Dio. Grazia. Dio vi protegga."
Este bilhete escrito acima foi entregue por uma moça em um vagão do trem, no caminho para Florença. A miséria não diz mais respeito apenas ao terceiro mundo, aos países ditos "sub-desenvolvidos" ou "em desenvolvimento". Ela se globalizou, assim como a informação e o comércio.
Em todas as cidades pelas quais passei vi pedintes. Na Itália, o que mais víamos eram velhinhas ajoelhadas no chão, com as mãos juntas em posição de reza, cabeça baixa e uma canequinha para colocar as moedas. Na França, os pedintes estavam sempre com um cachorro, pedindo dinheiro para ajudar a alimentá-lo. Aqui no Brasil são as crianças que normalmente pedem dinheiro. Creio que cada povo tem sua arma, para tentar comover a sociedade que está cada vez mais insensível.


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Filas

Estrada, marginal, buzinas.
Check in, alfândega, cansaço.
Para olhar o sagrado, pagamos os pecados (e o dízimo).
Apreciação da arte após a serpentina de gente.
E a viagem segue,
Com as maravilhas e encantos.
Com turistas de todos os cantos,
E filas para todos os lados.

domingo, 19 de julho de 2009

Cidades seculares

Hoje posso dizer que compreendi a história.
Ao andar por essas cidades, ver suas construções seculares, sentir o clima, apreciar as obras de arte, consigo formar uma imagem mais próxima do que foram os feudos, o período medieval, o renascimento.
Quantas coisas explodiram nos diferentes períodos, quantos pensamemtos, críticas, lutas, política.
Quanta riqueza e quanta pobreza. Quanta garra, quanta farra.
Um novo velho mundo, na visão de quem sempre viveu em outra terra.
Esses dias deixaram a história mais próxima de mim. Um respeito maior pelo sagrado, e uma contestação maior sobre o fanatismo religioso, dada pelo medo. A igreja que transmite a paz, o conforto, a devoção é a mesma igreja que condena, aflige, sufoca, na fala de quem vai salvar das trevas, quando ela mesma foi a treva de muita gente.

Romeu

Em Veneza conheci Romeo.
Brincalhão, de bigodes, belo, grisalho.
Quatro patas.
Tinha apenas 2 meses, mas já era a alegria da casa.
Saindo de Veneza, ficou lá o Romeo.
Em Verona, pensei que me transformaria em Julieta.
Mas na terra do amor descrita por Shakespeare apenas passei.
Continuo a viagem com lindas paisagens
E meu amor-próprio na bagagem.


(texto escrito em 15/07/2009)