sábado, 31 de janeiro de 2009

cabeça e coração

A boca sem beijos
Apenas fala.
Sorri vazio
Na tentativa de se preencher sozinha.
A mão sem entrelaços
Afaga o ar.
Anota, escreve, digita
Na busca de se bastar.
O corpo sem corpo
Trabalha, passeia, descansa.
Sente o vento, sente o calor
Na tentativa de seguir em frente.

Mas a boca não quer solidão.
A mão quer estar na mão de alguém.
O corpo quer arrepios e espasmos.

Boca, mão e corpo.
Cada um meio cabeça,
Meio coração.

A cabeça vive para o mundo
No amor racional pela vida.
O coração vive para ele
No amor ilógico por alguém.
A cabeça controla as ações
O coração demonstra toda a falta.


Francês

Bem... estava eu pensando o que poderia fazer para ocupar uma parte do meu tempo e conhecer novas pessoas... a primeira coisa que me veio à cabeça foi academia. Cheguei até a ligar para algumas. Mas não adianta. Detesto academia. O máximo que fiz foram dois meses de exercícios em uma, quando morava fora. Mas não é a minha praia.
Então, ontem à tarde no escritório, veio uma idéia - fazer um curso de línguas. Especificamente, francês. Quando era adolescente fiz inglês (in fact, I have to practise, because it´s been a long time that I stopped doing classes), e durante a faculdade fiz cerca de um ano de italiano (ma non mi ricordo niente).
O que me levou a pensar no francês? Bem... não há uma coisa em específico, mas saber que tenho com quem conversar foi uma idéia. E também sempre achei o francês uma língua charmosa, romântica (e tenho o romantismo em minhas veias). Minha tia fala francês fluentemente, pois fez seu doutorado em Paris. Uma prima que eu gosto muito também sabe francês (é tradutora, e sempre está às voltas com traduções de livros). E uma grande amiga minha está morando na França, já faz uns 4 anos.
Liguei para a escola para pegar informações, e hoje fui até lá. Já fiz a matrícula e o curso começa em março.
Vamos ver o que essa nova língua poderá me oferecer.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

mar em mim

Coração revolto em suas ondas.
Ora calmo, ora tempestuoso.
Às vezes quente, apenas acompanha a brisa que sopra.
Outras vezes gelado, com o vento cortante.
No incerto de seu rumo,
A única certeza é de sua imensidão.
Amor como o mar.
Mar em mim...


Vida

Nesse palco incerto
Sou atriz de improviso.
Não recebo os roteiros do meu papel.
Sem saber o final,
Desenvolvo minhas cenas.
Desencontros,
Encontros,
Reencontros.
Personagens vários na mesma cabeça.
Coração cambaleante,
Na intensidade,
Na vontade.
Tropeço em fala, poesia e música,
Ando, sem saber para onde,
Na esperança de um "gran finale".
O último ato,
Quando será que ele vem?
Quando será o próximo espetáculo?


Há Tempos

Parece cocaína mas é só tristeza, talvez tua cidade.
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão
E o descompasso e o desperdício herdeiros são
Agora da virtude que perdemos.

Há tempos tive um sonho, não me lembro
não me lembro...

Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso.

Os sonhos vêm e os sonhos vão
O resto é imperfeito.

Disseste que se tua voz tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira.

E há tempos nem os santos têm ao certo
A medida da maldade
Há tempos são os jovens que adoecem
Há tempos o encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
E só o acaso estende os braços
A quem procura abrigo e proteção.

Meu amor, disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem
Ela disse: "Lá em casa tem um poço
mas a água é muito limpa."

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Que nem jiló

Se a gente lembra só por lembrar
De um amor que um dia teve e perdeu
Saudade inté que assim é bom
Pro cabra se convencer
Que é feliz sem saber
Pois não sofreu
Porém se a gente vive a sonhar
Com alguém que se deseja rever
Saudade intonce aí é ruim
Eu tiro isso por mim
Que vivo doido a sofrer
Ai, quem me dera voltar
Pros braços do meu xodó
Saudade assim faz roer
E amarga que nem jiló
Mas ninguém pode dizer
Que me viu triste a chorar
Saudade, o meu remédio é cantar
Saudade, o meu remédio é cantar

Tristeza minha

Tamanha tristeza de quem
Riu um dia.
Imaginou e viveu mil poesias.
Sentiu o coração bater mais forte,
Trouxe consigo a alegria de viver.
Esteve nas nuvens sem voar.
Zelou pelo amor, que agora se foi.
Arlequim? Não, Pierrô.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Sherlock Holmes (again)

Ontem à noite acabei de ler "Um estudo em Vermelho". Adorei!!!
Como disse no outro post, é a primeira história do detetive mais famoso do mundo.
O livro é dividido em duas partes.
A primeira fala sobre como o Dr. Watson e o Sherlock Holmes se conheceram, e também mostra um caso de assassinato, onde o Dr. Watson começa a se interessar pelo trabalho do novo amigo. O caso se desenrola e ao final da primeira parte temos o assassino.
Então, para que a segunda parte, vocês devem estar se perguntando. Simples! Porque sem ela, a história fica sem pé nem cabeça. É na segunda parte que mostra o que levou o assassino a cometer o crime, e qual o raciocínio que Holmes usou.
Na primeira parte Holmes já fala sobre algumas pistas, mas nada que fique muito claro.
O livro é fantástico!

Sabedorias infantis

Essa arrumação toda da minha mãe e da minha irmã ainda vai render mais posts... Pois ontem quando elas estavam arrumando os livros, um chamou a atenção da minha irmã. "Soluções de Palhaços - Transformações na realidade hospitalar", que fala sobre os Doutores da Alegria.
Não li o livro, mas nele há algumas frases que foram ditas por crianças. São singelas, mas comoventes.

Sobre mãe: Eu não sei se minha mãe estudou para ser mãe ou já nasceu assim mesmo.
Carinho: É quando a gente bota o coração na mão e passa na cara da mãe.
Médico: É uma pessoa que cura a gente. Médico que fica doente não sabe curar.
Palhaço: É um homem todo pintado de piadas.
Adulto: É uma pessoa que não entende de chuva, criança ou bala.
Morrer: É ver a flor pela raiz.
Pai: Ser pai é mais difícil que ser mãe. Pai usa gravata.
Sonho: É uma coisa que fica dentro do meu travesseiro.
Criança: A gente só é criança quando sabe inventar brincadeiras.
Alegria: É um palhacinho no coração da gente.
Arte: É tudo que se abre. A ciência fecha para poder ver melhor. Quanto mais você abre a arte, mais arte você faz; quanto mais fecha a ciência, mais ciência você tem.

Deveríamos todos ter corações infantis, não na imaturidade, mas na pureza dos sentimentos.
Quem não gostaria de ter um travesseiro repleto de sonhos ao deitar?
Que forma mais maravilhosa de descrever um palhaço, pintado de piadas, levando a alegria, ou melhor, pequenos palhacinhos, para os nossos corações? Será que não está faltando um pequeno palhacinho dentro da gente? Ou será que ele não está lá no cantinho, escondidinho, apenas esperando a chance de aparecer, e pintar nossa vida de todas as cores lindas?
Saber inventar brincadeiras, é o que faz do ser uma criança. Quantas vezes nos permitirmos ser crianças, e inventamos brincadeiras?
Que delicadeza pegar o coração na mão, e passar no rosto da pessoa querida. Quantas vezes entregamos nosso coração com tanta pureza, alegria, dedicação, respeito, confiança? Realmente é uma ótima definição de carinho, porque não há nada melhor para definir esse gesto de tocar o outro com o coração.
Morrer... a tristeza e dureza que muitas vezes essa palavra remete, é trocada por uma forma poética de ver aquilo que partiu - ver a flor pela raiz - é lá, o seu começo e seu final. Todo um ciclo fechado, através da beleza de uma flor.
E a admiração, amor pela mãe e pelo pai? A mãe que sabe tanto de tanta coisa (por isso o estudo), e o pai, que trabalha bastante (por isso a gravata).
E a arte a e a ciência, que nunca deixam de ser opostos, nem na visão infantil. Enquanto um abre para ser descoberto, o outro precisa se fechar para ser desvendado.
Deveríamos prestar mais atenção aos pequenos sábios.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O Rei Leão

Tinha uns 13 anos mais ou menos, lembro que me emocionei com o filme: O Rei Leão, da Disney.
O desenho muito bem feito, com humor, drama, alegria, tristeza na medida certa.
Adorava cantar as músicas, que por um tempo tinha decoradas em minha mente. Duas eram minhas preferidas: "The Circle of Life" e "Just Can't Wait to be King". Gostava tanto, que copiei em um papel.
Papel esse que achei hoje, em meio à bagunça do gaveteiro.
As duas músicas também me fizeram lembrar de um dia que estava na casa do poeta, onde ele me falou que também adorava o filme e as músicas - e colocou o CD para escutarmos.

Vou copiar aqui a letra de uma delas:

The Circle of Life

From the day we arrive
On the planet
And blinking
Step into the sun
There's more to see
Than can ever be seen
More to do
Than can ever be done
There's far too much
To take in here
More to find
Than can ever be found
But the sun rolling high
Through the saphire sky
Keeps great and small
On the endless rouns
It's the circle of life
And it moves us all
Through despair and hope
Through faith and love
'Til we find our place
On the path unwinding
In the circle, in the circle of life.

Essa música realmente é linda...

escritos

Entre os desenhos e escritos, achei um pequeno texto que eu escrevi há muito tempo. Devia ter uns 13 ou 14 anos. Segue abaixo:

Quando crescer

Quando crescer quero ser tanta coisa...
Quando crescer quero ser arquiteta, para desenhar minha própria casa. Também quero ser decoradora, para decorá-la.
Quando crescer quero ser estilista, para poder desenhar minhas roupas. Quero ser pintora, para fazer meus próprios quadros.
Quero ser escritora, e ler meus livros.
Quero ser executiva, prefeita, governadora, presidenta, trabalhadora...
Quero ser tanta coisa, que não cabe neste papel.
Quero ser perfeita, mas isso ninguém é.
E, o mais importante de tudo, pois isso eu sempre serei: eu mesma!

Ao ler esse texto, sorri. Querer de uma criança/ adolescente, que tem suas fantasias e também suas verdades.
Pensei que boa parte do que escrevi me satisfez.
Sou arquiteta. Ainda não desenhei minha própria casa, mas um dia farei. Realizo-me em fazer o papel concretizar anseios dos clientes, muito mais do que se fizesse apenas para mim os projetos.
Estilista eu não sou, mas uso apenas o que me deixa confortável. Faço minhas bijuterias, uso roupas, perfumes e acessórios que têm a minha cara. De certa forma, crio meu próprio estilo.
Não publiquei nenhum livro, mas tenho o blog que é muito melhor. Aqui coloco meus anseios, pensamentos, devaneios, desejos, e posso interagir com os leitores e amigos.
Não sou executiva, nem política, e ainda bem! Faço meu trabalho com carinho e amor, aproveitando as oportunidades que me são dadas, e tenho apenas o poder necessário em minhas mãos.
Busco me melhorar enquanto pessoa, mas não desejo mais a perfeição. A perfeição é forçada demais, e a beleza está exatamente nas ondulações de cada um.
Mas, o que me deixou mais feliz de tudo - em todos esses anos, eu sempre fui eu mesma!

arrumação

Hoje à tarde minha mãe e minha irmã resolveram arrumar o armário de casa - livros, livros didáticos (sim, acreditem, minha mãe guardava os nossos livros desde a primeira série!), cadernos, fichários, bugigangas em geral. E resolveram arrumar por falta de espaço em casa para guardar coisas.
É aquele negócio... quanto mais espaço pra guardar coisas nós temos, mais coisas temos para guardar...
Bem, chegando em casa resolvi arrumar meu gaveteiro, que era formado basicamente de papéis.
Fiquei espantada com a quantidade de coisas passadas que tirei dali! Muitas joguei fora, outras guardei, por valores legais ou sentimentais.
Achei um convite do baile de formatura da faculdade, meu primeiro par de óculos, lápis diversos.
Ali também havia uma pasta com um convite e as coisas do meu casamento, que foram para o lixo (achei até que já tivesse jogado fora) e uma pasta de documentos - essa ficou bem guardada.
Mas algumas coisas me chamaram muito a atenção de ter encontrado!
Cartões de natal antigos, de colegas e amigos do colégio. Cartas de 10 anos atrás, que eu trocava com a Cris quando ela morou no exterior, e que guardo com muito carinho até hoje! Eu lembro que escrevia a carta e logo colocava no correio. A cada 21 dias chegava uma nova carta dela, e eu já respondia prontamente. Falávamos de tudo, ela das aflições e alegrias lá, e eu das minhas aqui.
Também encontrei um caderninho que eu fiz no final da oitava série, contendo fotos, lembranças e bilhetinhos de despedida.
Achei também alguns desenhos e escritos meus de sabe-se lá quando! Os desenhos eram diversos: muitas mocinhas em belos vestidos de festa, de noiva, de dia-a-dia. Uma caricatura que fiz dos meus professores de terceiro colegial, e uma caricatura que eu fiz da minha turminha de amigos do colegial. Desenhos de bichos, desenhos copiados de livros e papéis de carta.
Fiquei saudosa ao ver as cartas, os cartões, os desenhos. Lembranças de uma época divertida, onde as maiores aflições eram o vestibular e as fofocas da escola.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

...

Estou vivendo as reticências.
A espera.
Acompanhando os ponteiros do relógio,
Vendo o tempo passar.
O coração descompassado,
Angustiado,
De ter que esperar.
Mas, para passar, só o tempo.
Tempo reticente, até se tornar ponto final.
Outra linha, parágrafo, letra maiúscula.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Sherlock Holmes

Ganhei de presente de aniversário do meu cunhado um livro que eu adorei!
"Um estudo em Vermelho", de Sir Arthur Conan Doyle, é a primeira história de Sherlock Holmes.
Comecei hoje, e já estou devorando! Adoro histórias de detetives, mistérios, investigações!

sensação

Meu corpo fala o que sinto.
O frio no estômago,
O aperto no peito.
O pensamento longe,
As lembranças choram em minha alma.
Respiro fundo,
Mas nada passa, apenas o tempo.
A saudade mesmo, é cada vez maior.