terça-feira, 4 de maio de 2010

Confusão mental

Na mente conturbada,
A imagem do sagrado
Santo do pau oco
O Grito silenciado
Imagens desvairadas
Numa fusão de cores
Confusão de valores
Para quem lê preto e branco
O mundo é colorido demais
Para ser entendido.


Mais uma vez, os trabalhos de Ulysses inspiram poesia.

domingo, 2 de maio de 2010

"Poesia é a descoberta das coisas que eu nunca vi."

Acabei de ler essa frase de Oswald de Andrade na abertura da segunda parte do livro "Menino do Mato", do escritor Manoel de Barros.

Rotina

O ser humano é feito de rotina. Mesmo aqueles que não gostam, não há como fugir dela na vida cotidiana. Outro dia estava pensando no assunto, e lembrei da viagem que fiz ano passado com minha tia. Com certeza foi uma experiência incrível, que rompeu toda a minha rotida diária. Mas, eis que surge uma constatação em meio às lembranças da viagem.
Turista tem uma vida cansativa, como diz minha tia. Claro que um cansaço maravilhoso, andando por paisagens belíssimas, comendo coisas deliciosas, vendo obras de arte magníficas! E, em meio a todo o cansaço e à toda a bagunça de malas, hotéis, trens, museus, igrejas, passeios, criamos nossa rotina! Incrível, mas verdade. Uma rotina torta, mas ainda assim, rotina.
Acordar cedo, andar, comer na rua. Chegar no hotel mortas de cansaço e agradecer à banheira acolhedora, jantar, anotar todas as fotos do dia (para não esquecer), deitar, ver TV, dormir. No dia seguinte, acordar cedo, andar, comer na rua... dormir. Até chegar o dia da quebra do que já estávamos nos acostumando. Arrumar as malas, pegar o trem, apreciar a paisagem, chegar num outro hotel, dar uma primeira volta pela cidade, e no dia seguinte voltar à rotina. E assim foi, por 1 mês, nessa rotina fora de prumo.
Por mais que façamos algo diferente, buscamos situações recorrentes, que nos amparem, que nos façam sentir um pouco em casa. Situações nas quais nós nos reconhecemos. E, de todas as cidades pelas quais passei nessa aventura, Paris foi a que mais me proporcionou essa cara de aconchego, de lugar conhecido. Creio que a maior razão disso seja o fato de termos passado 11 dias lá, e ainda por cima num apart. Então, um "pequeno mundinho nosso" criei junto com minha tia. Por mais que fizéssemos algo diferente, ainda assim acordávamos todos os dias, comprávamos pão na mesma padaria, passávamos todas as noites pelo mesmo supermercado, mesmo que durante o dia fosse um passeio, um lugar visitado diferente do outro.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Receita de amor

Dar uma flor
Ver o mundo em cor
Andar de mãos dadas
Cair na risada
Avançar na madrugada
Olhar com respeito
Sorrir meio sem jeito
Palpitar o peito
Pular feito criança
Não se negar a uma dança
Comprar chocolatinho
Ver um filme bem juntinho
Pequenas trocas de carinho
Misturar as sensações
Escrever várias canções




sábado, 24 de abril de 2010

Sopro

Sou enferma do efêmero
O que dissolve me atrai
O que decanta
Me desencanta
A solidez me distrai
Solidão não me acompanha mais
Mas o tempo sempre atrás
Traz surpresas até demais
Dez vezes mais efêmeras
Meras lembranças
Sopros de esperanças
Danças de nunca mais

sexta-feira, 23 de abril de 2010

M(EU)

Canto meu canto
No canto esquina com o seu
Tão longe e tão perto do adeus
A Deus, eu o peço para mim
Você nem vê
Nem percebe meu querer
Não escuta meu pranto
Muito menos meu canto
Enfim
De pedaços faço novo eu
Inteirinha
Poderia ser sua
Mas sou todinha minha
Assim sem mim
Você é, por fim
Todo meu

Tijolinho

Vejo o sonho ser erguido,
Passo a passo construído.
Após tantos outros demolidos,
Dessa vez é diferente!
Não é sonho intermitente,
Esse vai durar pra sempre,
Independente de outras gentes.
É sonho já crescido,
Cuidadosamente amadurecido
Pela força do sempre tente.
E no tento eu consigo,
No consigo eu sempre sigo,
Neste sigo sei que vivo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Estou num impasse.
Heavy metal e bossa nova
Nessa escuta tiro a prova
Quem souber que me repasse
Qual o melhor compasso
Ou o melhor contraste
Para um simples coração.
Vivo em pura agitação,
Esse som me vira do avesso
Qualquer hora enlouqueço.
Sigo aos tropeços
Ou me levo pela canção?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Tudo o que é bom dura pouco
Aos poucos
Volto ao marasmo natural

Do mesmo jeito que vem, vai
Assim a vida me trai
E me atrai.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Com-passo

Num estranho compasso,
Ensaio passos
Sem passar.
Aquele passado,
Um dia presente,
Passou.
Passarinho,
Vou em busca de carinho,
Para não passar sozinho.
Ao som da banda,
Penso a infância de ciranda,
Que passa.
A passos largos,
Venci proezas,
Tive pureza,
Senti tristeza.
Todas passaram.
Vivo a passeio,
Faço meu recreio,
Procuro sempre um meio
Mais alegre de passar.
E passo.

Maledeta Piazzeta!!!!

Hoje resolvi desabafar!
Faz quase um mês que estamos trabalhando em um projeto no escritório que simplesmente não quer sair. É uma área de urbanização, mais especificamente duas quadras, onde em uma delas há uma praça. Já fizemos mais de 20 estudos, e não chegamos a nada que satisfaça o cliente ou que nos satisfaça.Já tentamos trabalhar com retas, curvas, amebas... nada. A sala já está uma zona, com papéis de croquis pregados por todas as paredes.
Tudo bem que eu gosto de desafios, mas isso já está uma afronta!
Qual o problema? Bem... o desnível é grande, a quadra da praça tem que ter espaço para 5 edifícios e 4 estacionamentos e uma ligação que queremos deixar entre uma quadra e outra. Muitas rampas e escadas para cumprir as normas de acessibilidade e por aí vai.
O prazo de entrega já está no pescoço, e não temos projeto nem pra ponta do pé.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Beijo

Olhos conversam em bocas caladas.
A tensão aumenta.
Por instantes, duas almas são tocadas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sigo o roteiro desconhecido
Feito em traços de entrelinhas
Vivo um meio sem fim
Faço mitose de mim
Tendo como única e fiel companhia
A minha
A sua?
Pode ser a cena principal
Ou um detalhe do projeto
A pulsação no tempo certo
Ou um simples vendaval

sábado, 10 de abril de 2010

Lembrança adolescente

Ontem fui a um barzinho para curtir um pouco a noite de sexta. Batida pra cá, conversa pra lá, bruschetta acolá... e eis que de repente entra uma turma de uns vinte adolescentes, todos com cara de 12, mas deviam ter uns 16 anos. Achei a cena divertida, e me lembrei dos meus 15, 16 anos.
Como qualquer adolescente, ia com minha turma para um barzinho. Chegávamos com atitude de pseudo adultos, cara de criança, e nos sentíamos super importantes, crescidos. Então pedíamos uma porção de fritas (com bastante catchup) e uma batida de frutas ou um refrigerante, que duravam a noite toda, afinal a mesada era pequena. Ali conversávamos, discutíamos problemas bobos de extrema importância, ríamos muito, e nos descobríamos entre provas, vestibulares, primeiros amores.
E assim estavam esses adolescentees ontem - curtindo a saída em turma, agindo feito gente grande que eles sabem que ainda não são.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Palavras

Algumas benditas
Outras mal ditas
Muitas não ditas
Poucas escritas
Tão bem descritas
Nunca correspondidas
Sempre comedidas
Necessariamente precisas
Prolixamente concisas