segunda-feira, 13 de setembro de 2010
O Canto do Silêncio
Esqueceu de pendurar a toalha no varal? Esqueceu alguma data importante? Falou algo terrível? Mas ele mal conversou com ela... será que era isso então? O silêncio em troca da ausência? Mas o silêncio era a forma rotineira deles se tocarem, como se despediam.
A dimensão da travessia era exasperante. O guarda-chuva, além de pesado, estava cheio de furos. Uma vareta que se desprendeu conduzia a água até seu pulso, invadindo a manga do paletó. O homem atravessava a rua da vergonha, fitando seu próprio olhar no reflexo dinâmico dos espelhos formados pela chuva da noite passada. Sentia-se perseguido, as ruas o olhavam com desprezo e desconfiança. O que ele fez de tão ruim ontem, para ter o olhar cruel dela logo pela manhã...? Ela o olhou de uma forma mais agressiva que o tiro.
Ela já deveria saber da arma. Ele cuidava para que nada estivesse à vista, mesmo quando chegava bêbado do serviço. Ainda assim, ela fingia que não sabia de nada.
O pássaro, que todos os dias vinha dar boa tarde, e a quem ela cuidadosamente espalhava as migalhas de pão, não cantaria mais. Foi o prelúdio da ruína: tudo calou-se. Ela não acreditava nas evidências: sujeira e sangue. O pássaro era seu, um anônimo amante. Aquele que vinha fielmente todas as tardes buscar as migalhas que ela pegava do marido, e que ele tão cordialmente acolhia. E tudo acabou num instante.
Nenhuma palavra. Nada, nem o olhar falava mais. O silêncio era mais cortante que o mais agudo dos gritos, perdurou tanto tempo que ele se esqueceu. Apenas vagava sem rumo, escutando o barulho das poças pisoteadas. O céu chorou durante toda a noite, mas ela não derramou uma lágrima. Não precisava.
Ao passar pela pecuária, viu alguns pássaros na gaiola. Então entendeu! Ao matar o pássaro, foi a ela que matara. A alegria que ela tinha vinha do canto das tardes. Era no pôr-do-sol que ela renascia. Mas ele queria o silêncio. Calou o pássaro, calou sua amada, calando-se para sempre.
Conto escrito em conjunto com o amigo Morais, em 08/09/2010
A dimensão da travessia era exasperante. O guarda-chuva, além de pesado, estava cheio de furos. Uma vareta que se desprendeu conduzia a água até seu pulso, invadindo a manga do paletó. O homem atravessava a rua da vergonha, fitando seu próprio olhar no reflexo dinâmico dos espelhos formados pela chuva da noite passada. Sentia-se perseguido, as ruas o olhavam com desprezo e desconfiança. O que ele fez de tão ruim ontem, para ter o olhar cruel dela logo pela manhã...? Ela o olhou de uma forma mais agressiva que o tiro.
Ela já deveria saber da arma. Ele cuidava para que nada estivesse à vista, mesmo quando chegava bêbado do serviço. Ainda assim, ela fingia que não sabia de nada.
O pássaro, que todos os dias vinha dar boa tarde, e a quem ela cuidadosamente espalhava as migalhas de pão, não cantaria mais. Foi o prelúdio da ruína: tudo calou-se. Ela não acreditava nas evidências: sujeira e sangue. O pássaro era seu, um anônimo amante. Aquele que vinha fielmente todas as tardes buscar as migalhas que ela pegava do marido, e que ele tão cordialmente acolhia. E tudo acabou num instante.
Nenhuma palavra. Nada, nem o olhar falava mais. O silêncio era mais cortante que o mais agudo dos gritos, perdurou tanto tempo que ele se esqueceu. Apenas vagava sem rumo, escutando o barulho das poças pisoteadas. O céu chorou durante toda a noite, mas ela não derramou uma lágrima. Não precisava.
Ao passar pela pecuária, viu alguns pássaros na gaiola. Então entendeu! Ao matar o pássaro, foi a ela que matara. A alegria que ela tinha vinha do canto das tardes. Era no pôr-do-sol que ela renascia. Mas ele queria o silêncio. Calou o pássaro, calou sua amada, calando-se para sempre.
Conto escrito em conjunto com o amigo Morais, em 08/09/2010
sábado, 11 de setembro de 2010
Amor como sapatos
Estava eu quietinha, lendo o livro "Mulher Perdigueira", de Carpinejar, quando me deparei com uma crônica entitulada: "Manias de uma loja de sapatos". Ele fala sobre a escolha de um sapato entre tantos outros em uma loja, e como muitas vezes não achamos o par que foi desejado na vitrine, e acabamos levando um outro par, mesmo que não seja o dos sonhos. Então ele transpõe essa escolha dos sapatos para as relações afetivas, de uma maneira muito lógica!
Achei o máximo o texto, e vou transcrever um trechinho aqui:
"Carentes, preferimos prender quem não amamos. Ficamos com uma companhia apesar de não amar, para evitarmos a cobrança pelos pés descalços ou porque estamos sozinhos. Esperando o par perfeito enquanto usamos o que encontramos. O que veio na frente. O que tinha no estoque.
Grande parte dos casais é ímpar. Vistosamente formando pares trocados, solteiros, improvisados."
Não é boa a comparação? Quantas vezes, por medo de ficarmos sozinhos, não aceitamos uma relação? Não é que não gostamos da pessoa que está ao nosso lado, mas não a amamos. O perigo de se acomodar em uma relação onde não há amor é iludir o outro. Cuidado com as ações, e mais cuidado ainda com as palavras. Amor não se declara da boca pra fora. É necessário falar com o coração, com o mais profundo suspiro e o mais corajoso dos olhares. Falar "eu te amo" todos os dias não é sentir o amor, mas sim tentar se convencer da mentira que se conta para o outro. Quem ama demonstra nos mais pequenos gestos, não precisa preparar discurso nem exige plateia.
Achei o máximo o texto, e vou transcrever um trechinho aqui:
"Carentes, preferimos prender quem não amamos. Ficamos com uma companhia apesar de não amar, para evitarmos a cobrança pelos pés descalços ou porque estamos sozinhos. Esperando o par perfeito enquanto usamos o que encontramos. O que veio na frente. O que tinha no estoque.
Grande parte dos casais é ímpar. Vistosamente formando pares trocados, solteiros, improvisados."
Não é boa a comparação? Quantas vezes, por medo de ficarmos sozinhos, não aceitamos uma relação? Não é que não gostamos da pessoa que está ao nosso lado, mas não a amamos. O perigo de se acomodar em uma relação onde não há amor é iludir o outro. Cuidado com as ações, e mais cuidado ainda com as palavras. Amor não se declara da boca pra fora. É necessário falar com o coração, com o mais profundo suspiro e o mais corajoso dos olhares. Falar "eu te amo" todos os dias não é sentir o amor, mas sim tentar se convencer da mentira que se conta para o outro. Quem ama demonstra nos mais pequenos gestos, não precisa preparar discurso nem exige plateia.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
500 dias com ela
"Esta não é uma história de amor" - É uma das primeiras falas do narrador; "Coincidência - é só o que é" - uma das últimas.
Essa é a história de Tom e Summer. Ou melhor, um trecho da história de ambos. Tom trabalha em um escritório que faz cartões comemorativos, e lá conhece Summer, a mais nova assistente de seu chefe. Com o passar do tempo eles se envolvem, e o filme mostra os dias que passaram juntos, sem seguir uma linha cronológica, mas sim uma linha que nos mostra o sentido da história.
Repito, "esta não é uma história de amor": trata-se de uma história de relacionamentos, que podem seguir rumos completamente diferentes.
Expectativa e realidade, qual a diferença? Toda a diferença, afinal a expectativa é aquilo que imaginamos que vá acontecer, ou que esperamos que aconteça. Mas nossa vida não é monólogo, não é apresentação solo. Toda e qualquer ação em nossa vida é feita de interação. E, à partir do momento em que há interação, a história tem (pelo menos) duas expectativas,: 1- a de um, 2- a de outro; e (pelo menos) quatro possíveis realidades: 1- se coincidirem com a expectativa de ambos, 2- se for a de um, 3- se for a do outro, 4- se não for a de nenhum dos dois. Os acontecimentos então, quando se concretizam de acordo com o que esperamos, é uma feliz coincidência? Pode ser que sim.
Essa é a história de Tom e Summer. Ou melhor, um trecho da história de ambos. Tom trabalha em um escritório que faz cartões comemorativos, e lá conhece Summer, a mais nova assistente de seu chefe. Com o passar do tempo eles se envolvem, e o filme mostra os dias que passaram juntos, sem seguir uma linha cronológica, mas sim uma linha que nos mostra o sentido da história.
Repito, "esta não é uma história de amor": trata-se de uma história de relacionamentos, que podem seguir rumos completamente diferentes.
Expectativa e realidade, qual a diferença? Toda a diferença, afinal a expectativa é aquilo que imaginamos que vá acontecer, ou que esperamos que aconteça. Mas nossa vida não é monólogo, não é apresentação solo. Toda e qualquer ação em nossa vida é feita de interação. E, à partir do momento em que há interação, a história tem (pelo menos) duas expectativas,: 1- a de um, 2- a de outro; e (pelo menos) quatro possíveis realidades: 1- se coincidirem com a expectativa de ambos, 2- se for a de um, 3- se for a do outro, 4- se não for a de nenhum dos dois. Os acontecimentos então, quando se concretizam de acordo com o que esperamos, é uma feliz coincidência? Pode ser que sim.
Andorinha azul
Nada vive, apenas espera
É mistério que a paz revela
Ou pura introspecção do encanto?
Mas no vôo vem a compreensão:
Andorinha chega confiante
Traz ar renovado e radiante
Seu azul, repleto de emoção
Carrega imensa tranquilidade
Para aqueles que tem vontade
De seguir mais adiante.
É mistério que a paz revela
Ou pura introspecção do encanto?
Mas no vôo vem a compreensão:
Andorinha chega confiante
Traz ar renovado e radiante
Seu azul, repleto de emoção
Carrega imensa tranquilidade
Para aqueles que tem vontade
De seguir mais adiante.
Fiz essa poesia inspirada em um trabalho de Ulysses, chamado: "A andorinha azul planando sobre o tempo". Ele me enviou pelo correio a gravura.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Texto à duas mãos
Hoje fiz uma coisa incrível! Escrevi, junto com um amigo, um texto pela internet. Entramos ambos no Docs do google, e começamos a escrever. Um escrevia, o outro mudava, rearranjava o texto, e assim foi. Fizemos um conto, e assim que finalizarmos, postarei no blog.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
(IN)consciência eleitoral
Dizem que o mal é o candidato
Que não presta, é inapto
Pensamento repartido
Não tomo partido
Falo algo bem pior:
Eleito é reflexo do eleitor
Que não sabe em quem vota
Por um sanduíche se devota
Pra depois chorar derrota
Que não presta, é inapto
Pensamento repartido
Não tomo partido
Falo algo bem pior:
Eleito é reflexo do eleitor
Que não sabe em quem vota
Por um sanduíche se devota
Pra depois chorar derrota
Grandes amigos
Ontem reencontrei dois amigos que não via há tempos! Sempre conversamos pelo MSN, mas ao vivo... cada um na sua correria, na sua loucura, nunca dava certo. Quando um podia, o outro não, e assim foi. Até que ontem conseguimos! (acho que por isso o tempo virou).
Não sabíamos onde ir, pois a Amiga queria ir a um restaurante. O Amigo sugeriu alguns, eu outros, até que fechamos o lugar, depois de umas voltas de carro.
Fomos a um restaurante português que abriu há uns dois meses. Lugar pequeno, cardápio ainda bem restrito, atendimento bom. Não comi, pois havia jantado há pouco, mas meus amigos comeram. Experimentei uma lasca de bacalhau - não gosto de peixe, mas sei quando uma comida está saborosa, e ele não estava; estava seco, salgado e sem gosto. Pedi um sorvete com caldas de frutas vermelhas. Que decepção... a calada era artificial de morango, completada por pedaços da fruta e uma cereja no topo. Ainda bem que a companhia estava ótima! Demos muitas risadas, falamos com sotaque português, lembramos de algumas coisas, comentamos nossa indignação diante de certas coisas que acontecem hoje, de adolescência... foi muito divertido!! Espero que não demore muito para nos encontrarmos novamente!
Não sabíamos onde ir, pois a Amiga queria ir a um restaurante. O Amigo sugeriu alguns, eu outros, até que fechamos o lugar, depois de umas voltas de carro.
Fomos a um restaurante português que abriu há uns dois meses. Lugar pequeno, cardápio ainda bem restrito, atendimento bom. Não comi, pois havia jantado há pouco, mas meus amigos comeram. Experimentei uma lasca de bacalhau - não gosto de peixe, mas sei quando uma comida está saborosa, e ele não estava; estava seco, salgado e sem gosto. Pedi um sorvete com caldas de frutas vermelhas. Que decepção... a calada era artificial de morango, completada por pedaços da fruta e uma cereja no topo. Ainda bem que a companhia estava ótima! Demos muitas risadas, falamos com sotaque português, lembramos de algumas coisas, comentamos nossa indignação diante de certas coisas que acontecem hoje, de adolescência... foi muito divertido!! Espero que não demore muito para nos encontrarmos novamente!
domingo, 5 de setembro de 2010
Nosso Lar
Ontem fui ao cinema assistir à adaptação do livro de Chico Xavier - Nosso Lar.
A história conta a história de André Luis, entre sua vida e sua desencarnação, até a chegada a uma das colônias espirituais chamada Nosso Lar.
Uma produção incrível, muito bem feita, e uma história que nos faz pensar o quanto ainda temos que aprender e evoluir.
Fantástico!
A história conta a história de André Luis, entre sua vida e sua desencarnação, até a chegada a uma das colônias espirituais chamada Nosso Lar.
Uma produção incrível, muito bem feita, e uma história que nos faz pensar o quanto ainda temos que aprender e evoluir.
Fantástico!
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Olhos dela
Minha mãe está com olhos mancos.
Eu explico... Minha mãe usa óculos para tudo, e ontem uma das hastes quebrou. Como ela não enxerga sem eles, está usando quebrado mesmo. Amanhã ela levará à optica. Mas, até lá, ficará com os olhos mancos.
Eu explico... Minha mãe usa óculos para tudo, e ontem uma das hastes quebrou. Como ela não enxerga sem eles, está usando quebrado mesmo. Amanhã ela levará à optica. Mas, até lá, ficará com os olhos mancos.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
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